Chorar e sorrir deliberadamente

A mente da criança não controla emoções. Toda experiência é um convite à manifestação de uma enorme gama de sensações e sentimentos. Da alegria à tristeza. Da felicidade à frustração.

A criança quando gosta abraça, beija, sorri. Quando não gosta, se afasta, se esquiva, grita, chora. As vezes gosta e não gosta ao mesmo tempo. Por isso, às vezes chora e sorri simultaneamente.

Aprender a controlar as emoções é super necessário. Mas nós adultos aprendemos a bloqueá-las, achando que estávamos controlando-as. E, portanto, aprendemos a calar nosso choro.

Expressar emoções deliberadamente é a quinta habilidade infantil que eu sugiro que nós, adultos, resgatemos se quisermos prosperar neste século XXI. Não é para ninguém sair chorando, nem pulando, nem brigando ou gritando por aí. Mas se resgatarmos nossa liberdade para sentir e para expressar mais à vontade nossas emoções, estaremos mais próximos de nos equilibramos emocionalmente.

Como essa habilidade interfere na vida do adulto?

EM CASA:

Por termos aprendido a bloquear nossas emoções, acreditamos que as pessoas com as quais nos relacionamos devem adivinhar  que sentimos e como elas devem agir conosco. Todavia, isso é impossível. Se reaprendemos a sentir e a expressar nossos sentimentos, conseguiremos esclarecer para o outro como estamos e como gostaríamos de sermos tratados. Dessa forma, estaremos mais perto de construirmos relações saudáveis e duradouras.

NO TRABALHO:

Em resumo, a nossa habilidade de expressar emoções é o que nos permite comunicar de forma assertiva. No cenário corporativo, 90% dos problemas nascem de equívocos na forma como mensagens são emitidas ou recebidas (de forma oral ou escrita, tanto faz). Assim sendo, resgatar essa habilidade poderá economizar tudo o que se perde (para a empresa ou para sua carreira) quando algo é mal comunicado.

Como nutrir essa habilidade nas crianças?

EM CASA:

Despeça-se da sua necessidade de calar a criança. Permita que a criança chore! Não a abandone em seu choro. Acolha mas compreenda que muitas vezes não há nada que nós podemos fazer para que ela pare de chorar… e está tudo bem! Ensine-a a falar sobre o que sente e respeite quando ela não quiser falar.

NA ESCOLA:

Utilizar materiais didáticos de gestão de emoções.

Promover a educação de habilidades sócioemocionais.

Evitar situações de Bullying e conduzir os casos que ocorrerem de forma respeitosa com os dois lados (quem ofende certamente está sofrendo por outro motivo).

Propiciar um clima saudável e seguro de expressão dos sentimentos no ambiente escolar.

Autoconfiança

A mente da criança não conhece o fracasso. Não tem a menor noção do que seja erro.

Essa é uma das razões pelas quais eu digo que as crianças nascem auto-confiantes.

Já percebeu como elas se amam?

Como elas sempre abrem um sorriso quando se vêm no espelho?

Como elas são bem humoradas na sua persistência?

Elas se divertem descobrindo as coisas e tentando realizar algo porque elas realmente acreditam que a qualquer hora vão conseguir. Elas tem uma certeza oculta, porém forte, de que são capazes! Elas confiam indubitavelmente nelas mesmas!

Autoconfiança é a quarta habilidade infantil que eu sugiro que nós, adultos, resgatemos se quisermos prosperar neste século XXI. Não é fácil… precisaremos esquecer muito do que aprendemos sobre a vida e sobre nós mesmos. Mas a boa notícia é que não falta profissionais dispostos a te ajudar nessa. E até mesmo muito conteúdo gratuito na internet possível de ser seu apoio nessa jornada de resgate da sua autoconfiança.

Como essa habilidade interfere na vida do adulto?

EM CASA:

Só conseguimos confiar verdadeiramente o outro quando confiamos primeiramente em nós mesmos. Nossas incertezas a respeito do outro são, na verdade, reflexo das incertezas que temos sobre nós mesmos. Por isso, é a nossa autoconfiança que nos permite criar e manter vínculos com base na confiança. O que, vale ressaltar, é pressuposto básico para relacionamentos respeitosos (com o filho, o marido, o pai) – o que garantem muito da nossa saúde e equilíbrio mental.

NO TRABALHO:

No cenário profissional e corporativo a autoconfiança é responsável pela forma com a qual você é visto e respeitado pelo seu ambiente de trabalho. É a autoconfiança que permitirá com que você se destaque ou se apague frente aos demais. Suas conquistas e a realização de todas as suas metas dependerão diretamente dessa sua habilidade.

Como nutrir essa habilidade nas crianças?

EM CASA:

Evite dizer para a criança que o que ela faz está errado. Busque agira de forma mais prática e específica dizendo que o que ela fez está inadequado ou é desrespeitoso. Pode parecer que não faz a diferença, mas o sentido de trocar essas palavras está baseado numa fundamentação cultural de que erro é ruim. Por isso, dado o contexto em que vivemos, “inadequado” e “desrespeitoso” são palavras que ajudam a criança a compreender seu equívoco sem minar sua autoconfiança.

Em vez de elogiar ou dizer palavras que denigrem sua competência. Prefira expressões como “Você consegue”, “Ainda não deu, mas em breve você será capaz de fazer isso”, “Uau, que legal você ter conseguido isso se esforçando, né? Como se sente agora?”.

NA ESCOLA:

Utilizar metodologias com foco em personalização da aprendizagem (o quanto for possível já ajuda muito).

Promover espaço de criação e apresentação de projetos pessoais conectados (ou não) à disciplina em questão.

Possibilitar um clima respeitoso em sala de aula a fim de evitar expressões pejorativas dos colegas quando uma criança levanta a mão para fazer uma pergunta ou apresenta um trabalho para toda a turma.

Curiosidade

A mente da criança, mais especificamente do bebê, não conhece naaaada. Já parou pra pensar que eles nunca estiveram aqui antes? Tudo é novo. Divertido ou assustador.

Essa é uma das razões pela qual o olhar da criança é sempre curioso. Os bebês nascem e arregalam os olhos para conhecer o mundo a sua volta. É mesmo depois de uns 2 ou 3 anos de vida ainda tem taaaanto a conhecer que eles ainda tem muitas atitudes curiosas.

Curiosidade é a terceira habilidade infantil que eu sugiro que nós, adultos, resgatemos se quisermos prosperar neste século XXI.

Como essa habilidade interfere na vida do adulto?

EM CASA:

Quando direcionamos a curiosidade para o outro,

especialmente nas nossas relações sociais e familiares podemos dizer que essa é a habilidade que mantém os vínculos aquecidos. Ou seja, é a nossa atitude curiosa pelo outro

NO TRABALHO:

No cenário profissional e corporativo a curiosidade é extremamente valiosa porque amplia seu repertório de recursos, de ferramentas, de soluções e este é o principal pré-requisito para agir criativamente e inovar. E eu nem preciso dizer como isso é importante hoje em dia no mercado de trabalho, né?

Como nutrir essa habilidade nas crianças?

EM CASA:

Conseguimos nutrir a curiosidade da criança de varias formas. Duas delas destacarei aqui. A primeira é respeitando seu tempo de brincar sozinha e em silêncio. Pois é nesse momento que a criança está conhecendo todas as possibilidades daquele brinquedo e também suas próprias possibilidades. Ela está usando a curiosidade a favor de seu desenvolvimento.

A segunda dica é estimular a criança a se interessar por coisas novas, nunca forçando mas dizendo por exemplo “nossa! O que é aquilo?” , “que textura aquilo tem?”, “como será que usa isso?”.

NA ESCOLA:

Brincar de esconder brinquedos pela sala.

Oferecer caixas-secretas: caixas com dois buracos para a criança colocar as mãos e descobrir o que tem dento da caixa. Essa caixa também trabalha a imaginação.

Propor visitação a espaços novos (salas de outras crianças, secretaria, diretoria) acompanhados de caderno das descobertas, em que as crianças anotarão tudo o que descobrirem no ambiente visitado.

Persistência

A mente da criança não entende o NÃO. Esse é um aprendizado social. Por isso, só após alguns anos e alguns esforços, é que conseguimos compreender seu conceito. 

Essa é uma das explicações para a “teimosia” da crianca. A teimosia é como nomeamos a estratégia que toda criança utiliza para garantir que sua vontade seja realizada. Às vezes dá pra fazer e às vezes não dá pra fazer o que a criança quer, claro. Mas o fato é que essa é uma atitude naturalmente inteligente da criança que, mais tarde, na vida adulta, lhe fará tanta falta!

Persistência (que é um nome mais bonito e mais maduro para chamarmos a teimosia) é a segunda habilidade infantil que eu sugiro que nós, adultos, resgatemos se quisermos prosperar neste século XXI.

Como essa habilidade interfere na vida do adulto?

EM CASA:

Nas relações sociais e familiares a persistência é a habilidade que aprimora os vínculos e que favorece o exercício de retro-alimentação das relações. Ou seja, se algo não vai bem com o marido (ou a esposa), com os filhos, os irmãos ou os pais, é a persistência que promoverá atitudes de cuidado, de atenção e de reflexão para que seja possível diagnosticar pontos de melhoria e agir em direção a isso.

NO TRABALHO:

No cenário profissional e corporativo essa habilidade é extremamente valiosa porque amplia sua agenda de contatos. À medida que eles são nutridos e se transformam em relacionamentos, estes contatos passam a funcionar como recursos econômicos porque podem solucionar problemas para os quais você gastaria mais tempo ou, possivelmente, mais dinheiro.

Como nutrir essa habilidade nas crianças?

EM CASA:

Conseguimos manter a persistência acesa na vida adulta da criança se conseguirmos direcionar essa habilidade para as situações mais adequadas.

Para isso, a primeira dica é fazer combinados curtos, fáceis de entender (mediante a idade das crianças) e deixá-los sempre muito bem claros – você pode colocar frases ou desenhos que representem os combinados na parede ou na geladeira, por exemplo.

Mediante isso, atente-se para restringir seus “nãos” a essas “regrinhas”. Assim, quando a criança “teimar” com você, será mais fácil justificar seu posicionamento e conferir a noção de adequação.

A segunda dica é, sempre que ela desejar alcançar algo que não consegue, ou construir/desenhar algo que está difícil, estimule-a a continuar tentando, oferecendo pequenas ajudas (que contribuem mas não resolvem o problema para ela) e encorajando-a com expressões do tipo “tenho certeza que você consegue”.

NA ESCOLA:

Respeitar aquela expressão “de novo! de novo!” e permitir tempo livre para explorar brincadeiras repetidas vezes.

Propiciar experiências para as quais sejam necessárias teste e re-teste.

Oferecer e incentivar atividades para recuperar ou melhor o aprendizado que ainda não se apresentou em sua melhor performance. 

Fazer Amigos

O século XXI já está aí há quase 2 décadas deixando muita gente de cabelo em pé. Claro! O avanço tecnológico estrondoso e a presença cada vez mais próxima e real da inteligência artificial no nosso cotidiano tem alterado as formas com as quais nos relacionamos no trabalho, em casa, e até conosco mesmos.

Tá mais difícil educar.

Tá mais difícil segurar o emprego.

Tá mais difícil manter a saúde do casamento.

Vivemos uma época que tem os MAIORES índices de DEPRESSÃO e ANSIEDADE já calculados na história da humanidade. São, mais precisamente, 322 milhões de pessoas depressivas e 264 milhoes  com transtorno de ansiedade. 

A meu ver, é urgente atualizarmos a forma com que vemos o mundo, para que consigamos sobreviver à tantas transformações com o mínimo de saúde mental e emocional.

Sinto que também seja urgente, ainda que com efeitos a longo prazo, atualizarmos a forma com a qual educamos as crianças, para que elas não passem por algo ainda pior do que o cenário de doenças mentais e psiquiátricas com que convivemos hoje.

Os dados hoje já sugerem que, se não fizermos nada diferente, uma grave crise existencial chegará para todos e a depressão (segundo relatório da OMS fonte) será a doença MAIS COMUM DO MUNDO!

Por isso, lancei uma minissérie de 5 habilidades que tínhamos muito bem vivas dentro da gente quando éramos crianças e que sugiro resgatarmos para que possamos sobreviver e prosperar neste século XXI.

Primeira Habilidade: Fazer Amigos!

A mente da criança é virgem e seu pensamento demora a captar barreiras sociais impostas. É isso o que permite às crianças se doarem a quem elas gostam. Se uma criança gostou do picolé que a outra criança está tomando, ou do que ela está vestindo, ou do seu jeito de falar, ou do seu brinquedo, ou do seu sorriso, essas crianças se aproximarão.


E, se não houver interferência do adulto, a maior probabilidade é que elas iniciem uma relação saudável e brinquem muuuuito juntas!

Ao fim do dia, são melhores amigas de uma vida inteira!!!

Fazer amigos é a primeira habilidade infantil que eu sugiro para nós adultos resgatarmos se quisermos prosperar neste século XXI.

Seja real ou virtualmente. Precisamos aprimorar a arte de se aproximar, gerar contatos, criar relações.

Como essa habilidade interfere na vida do adulto?

EM CASA:

No cenário familiar essa habilidade está relacionada ao carinho e ao cuidado para com o outro. Por isso, resgatá-la pode facilitar diálogos saudáveis e nutrir vínculos mais duradouros

NO TRABALHO:

No cenário profissional e corporativo essa habilidade é extremamente valiosa porque amplia sua agenda de contatos. À medida que eles são nutridos e se transformam em relacionamentos, estes contatos passam a funcionar como recursos econômicos porque podem solucionar problemas para os quais você gastaria mais tempo ou, possivelmente, mais dinheiro.

Como nutrir essa habilidade nas crianças?

EM CASA:

Evite forçar a barra no intuito de que a criança se aproxime de alguém. Quanto mais você respeitar os limites dela e quanto menos você intervir quando ela, finalmente, se aproximar de alguém, mais à vontade ela se sentirá para aprimorar este comportamento. Com crianças mais tímidas este respeito é ainda mais fundamental. Em vez de sugerir “vai lá conversar com o amiguinho!” experimente aguçar sua curiosidade, como: “olha que lega o que ele está fazendo”, “nossa, o vestido dela é da mesma cor que a sua blusa”, “que legal, vocês tem algo em comum”. Isso pode ajudar que a criança se interesse a se aproximar da criança. Se mesmo assim ela preferir não ir, respeite.

NA ESCOLA:

Sempre propiciar formação de grupos com coleguinhas diferentes. Promover atividades de intercâmbio entre classes. Sugerir trabalhos que façam uso de entrevistas com pessoas com as quais a criança tem pouco contato.