Dia 5: projeto inovação educacional em foco

Hoje visitei 2 escolas em Suttgart (Alemanha), a Pelikanschule, de 6 a 10 anos e a Jorg Ratger Schule, de 11 aos 18 anos. Ambas inclusivas, atendem alunos de várias etnias e com algumas necessidades especiais de aprendizagem.

Foi especialmente interessante ouvir de uma aluna da Jorg Ratger que a diversidade cultural é considerada por ela como um ponto forte.

Preciso admitir que fiquei um tanto quanto decepcionada ao perceber que o curriculo “vocacional” deles é, na verdade, baseado exclusivamente nas habilidades linguísticas e numéricas dos alunos. Ou seja, todos são avaliados com o mesmo tipo de avaliação e as trilhas de aprendizagem (que os alunos, juntamente às suas famílias, escolhem aos 10 anos) serão sugeridas com base no resultado dessas avaliações.

Tomando por base a teoria das múltiplas inteligências de Howard Gardner, ficou claro que as inteligências que não forem linguística ou numérica não tem o mesmo valor para essa classificação/orientação.

Fazendo uma comparação rasa, para fins didáticos, é como se as trilhas de aprendizagem classificassem os alunos em “baixo” desempenho, “bom” e “ótimo”. O “ótimo” seria o que eles chamam de Ginásio. O “bom”, o Realschule. Foi uma pena constatar poucas metodologias ativas no Ginásio, em comparação a essa “trilha” e, mais ainda, perceber que a educação sócio-emocional acontece de forma mais intencional e direcionada também no Realschule – mesmo sendo essa uma necessidade de TODAS AS PESSOAS e não só daquelas com menor desempenho nas provas centrais.

Todavia, uma vez exercendo meu olhar criativo, o modelo alemão dividido em trilhas ofereceu-me insights valiosos no que tange às metodologias de personalização (os quais esclarecerei no relatório final exclusivo para os apoiadores desse projeto pelo Catarse).

Eles estão em momento de alteração deste sistema, talvez por uma questão política também (em alguns momentos essa influência foi citada pelos profissionais que apresentaram as escolas, ainda que de forma bastante melindrosa e superficial). Existe a pretensão de acabar com estas trilhas e oferecer uma mesma escola para todos.

Em resumo, devo ressaltar que tenho me esforçado em relação ao meu objetivo de capturar insights (com objetivo de ampliar o repertório de práticas pedagógicas inovadoras no Brasil) em cima do que tem sido apresentado, mesmo percebendo que, para uma compreensão mais real e fidedígna do que eles fazem na Alemanha seria preciso algumas semanas de imersão. O que quer dizer que eu estou muito mais registrando insights a partir da impressão que adquiri durante algumas horas de apresentação das escolas do que em cima de um estudo aprofundado da metodologia e do sistema vigente neste país (considerando que isso tomaria um tempo muito maior do que o que tenho disponível).

E, por falar em tempo, hoje consegui falar com meus filhos!!!

Eles estavam com suas carinhas mais alegres mas meu coração parte toda vez que Elisa pergunta “onde você está, mamãe?” como quem quer dizer “por que não está aqui, mamãe?”.

Eu gosto de sempre ser transparente e o máximo verbal possível com meus filhos, porque entendo que o sub-ententido enrijece ainda mais as emoções e isso tende a ser negativo. Então disse a ela: “Mamãe também não está gostando de ficar longe de você, filha. Estou triste por isso e com muitas saudades. Mas estou fazendo um trabalho legal aqui e fico feliz de ver que você também está conseguindo se divertir aí.”

E completei: “eu ainda vou demorar um pouquinho, filha. Mas jajá a mamãe chega!”

Hoje, no intervalo de visitação às escolas, pela primeira vez, me peguei percebendo o que estava me fazendo me sentir mal. Era a saudade. Especialmente, do abraço e do cheiro deles. Concentrei-me nisso e me percebi vazia um pouco. Estar com eles me abastece muito. E, confesso, racionalmente tratei de esquivar meu pensamento e preencher-me de outra experiência.

Agora, vou tomar banho e, antes de dormir, gastarei mais alguns minutinhos assistindo aos vídeos que diariamente minha mãe me manda de suas aventuras. Assim me sinto mais próxima e mais abastecida de nosso vínculo.

Um abraço e até amanhã.

Um comentário em “Dia 5: projeto inovação educacional em foco

  1. Nem tudo são flores, né? Mas tenho certeza que os insights serão valiosos! Bom trabalho e q os vídeos diminuam um pouquinho a dor da saudade. Força!!!

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